A nossa história
Há algum tempo atrás estive sentada na sala ajudando o meu avô a relembrar que a menina da foto a qual ele segurava, era eu.
Sua neta mais velha. Puxei uma caneta e fomos escrevendo o nome de cada uma das pessoas que apareciam no álbum antigo da família. Ainda que com uma caligrafia quase impecável, ele se esforçava para lembrar como desenhava cada uma das letras do alfabeto, Se eu soubesse que o Vô Foppa que cuidava da granja, produzia vinho, acariciava as hortênsias, curava a cachaça e inventava inúmeras misturas de chás e temperos, esqueceria das histórias, eu o pediria para escrever mais. Tento, o quanto possível, preservar cada uma delas. A FOPPA ocupa esse papel: de olhar para o que é, de fato, ser humano. De construir e adaptar as tradições, sem perder a essência. A origem, as raízes. E assim, ao longo do tempo, construir uma história. É o que defendo ser o papel principal da hospitalidade e, dos negócios.
Eventualmente as memórias começam na linha quinta onde, na época, as regiões eram dadas por números ao invés de nomes, conforme as famílias iam se instalando.
Evandro relembra a casa da nona Foppa. O sobrado com o tal do porão de chão batido. O normal, o comum era encontrar as pipas de vinho, os salames, copas.. Mantas de toucinho penduradas.
A fartura italiana se dava à mesa, sem muita diversidade. Era o simples mas, o pão - saindo do forno de barro, não pesava menos que de 2, 3kg. Enormes. Sagu com vinho e o creme branco para ocasiões especiais. Não comparavam quase nada. Consumiam quase tudo o que criavam e cultivavam ali, enquanto as crianças se divertiam no banho de tanque, um tanto quanto fundo demais para o tamanho delas. A própria banheira de luxo.







Levantar cedo, tirar leite e tratar os porcos, voltar para tomar café e depois a manhã estendida para a roça. Era a rotina nos homens da família. 100 anos. Euclides continuou o ritmo em Bom Jesus, na casa da granja. Falamos dessa despedida há não muito tempo atrás. A casa da Nonna está de pé até hoje e, continuamos lembrando com carinho da linha quinta. Há um paiol que, na verdade, ocupa um lugar próximo à casa antiga, a primeira, toda de madeira erguida em uma estrutura de pedra, onde todos os filhos nasceram.
As próximas gerações não mudaram tão drasticamente assim.
Depois do almoço, Vô Foppa continuou deitando de quinze a vinte minutos, antes de levantar e ir para a roça mais uma vez. A diferença era a família menor, dois filhos e a esposa. As brincadeiras de Euclides com Evandro eram guardadas para os finais de semana, aos sábados e domingos. Quando tinha "um pouco mais de tempo". A lutinha entre pai e filho era na grama e terminava com os cachorros entrando para defender alguém e morder os outros.




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