Raízes Brasileiras.
Essência Italiana.Por Julia FoppaEssa história vêm sendo desenhada desde a primeira geração
Escrito por Julia Foppa - Neta mais velha de seu Euclides Foppa em maio de 2025.Eventualmente as memórias começam na linha quinta onde, na época, as regiões eram dadas por números ao invés de nomes, conforme as famílias iam se instalando.
Evandro relembra a casa da nona Foppa. O sobrado com o tal do porão de chão batido. O normal, o comum era encontrar as pipas de vinho, os salames, copas.. Mantas de toucinho penduradas.
A fartura italiana se dava à mesa, sem muita diversidade. Era o simples mas, o pão - saindo do forno de barro, não pesava menos que de 2, 3kg. Enormes. Sagu com vinho e o creme branco para ocasiões especiais. Não comparavam quase nada.
Consumiam quase tudo o que criavam e cultivavam alí, enquanto as crianças se divertiam no banho de tanque, um tanto quanto fundo demais para o tamanho delas. A própria banheira de luxo.
Levantar cedo, tirar leite e tratar os porcos, voltar para tomar café e depois a manhã estendida para a roça. Era a rotina nos homens da família. 100 anos. Euclides continuou o ritmo em Bom Jesus, na casa da granja. Falamos dessa despedida há não muito tempo atrás. A casa da Nonna está de pé até hoje e, continuamos lembrando com carinho da linha quinta. Há um paiol que, na verdade, ocupa um lugar próximo à casa antiga, a primeira, toda de madeira erguida em uma estrutura de pedra, onde todos os filhos nasceram.
As próximas gerações não mudaram tão drasticamente assim.
Depois do almoço, Vô Foppa continuou deitando de quinze a vinte minutos, antes de levantar e ir para a roça mais uma vez. A diferença era a família menor, dois filhos e a esposa. As brincadeiras de Euclides com Evandro eram guardadas para os finais de semana, aos sábados e domingos.. Quando tinha "um pouco mais de tempo”. A lutinha entre pai e filho era na grama e terminava com os cachorros entrando para defender alguém e morder os outros.
A casa da granja continuava com algumas lembranças da casa da nonna.
Muitas pipas de vinho. No jardim, cactos e rosas.
Em 1998, Evandro deixou a granja. Saiu para onde, até então, era um país em desenvolvimento. O Paraguay estava cheio de promessas. E desafios. Com a esposa e uma filha recém nascida, foi quase como um tiro certeiro à frente de seu tempo. Mas ele só viria a descobrir, depois.
A brincadeira de luta na grama continuou com seus dois filhos: Julia e Arthur. Evandro, assim como vô Foppa, tinha uma mulher forte ao lado, nunca foi de contar histórias e reservava os finais de semana.
O filho mais novo, segue os passos do pai. Do avô, do nono. Talvez um pouco mais adaptável aos dias atuais. Levantar cedo, tomar café e ir para o campo. Finais de semana dedicados ao “fazer em casa”: a carne, e o espaço para a sobremesa enquanto recebe os amigos de confiança. Não muita diversidade mas sim, ao jeito dele, muita fartura.
A mais velha, mantém a soneca de quinze minutos pós almoço. Alguns que a conhecem dizem que ela possui algo a provar: uma visão de mundo que parece grande demais.
Com a confiança testada da juventude e um chip de paixão pelas poucas lembranças da casa da Nona, ela decidiu fazer um nome para si mesmo, em torno de toda a história contada até aqui.
Desde pequena, as lembranças de Julia foram construídas com um pouco da tradição mas, a voz, em que mais confia é aquela que está dentro, nos chamando para amar nossas famílias, cultivar nossas relações e entregar a eles a riqueza do nosso tempo. A bagagem de quem saiu para o mundo com 16 anos e entendeu que, cada momento, se transforma em uma experiência, com tudo o que o nosso lado humano tem a oferecer.
Foppa, continuará reconhecida como Foppa.
O nome que herdou de seu avô.
Uma coerência entre a simplicidade da casa da Nonna, o prazer no receber, o respeito pelas tradições. Hoje, uma empresa, com alma de boutique, que une hospitalidade e negócios e se transformou em uma Coleção de marcas, produtos e experiências. Um acervo para empresas e, para pessoas. Reunindo estratégias de modelos de negócio, saúde em torno do compartilhar e, um espaço para conhecimento sobre cultura, lugares, experiências pelo mundo.
De raízes brasileiras.
Essência italiana.

