
Estético, moderno e funcional.
Todos. Ao mesmo tempo. Pertencente ao industrial e ao nostálgico, ao popular e ao futurista, à estética leve mas, personalizável o suficiente para ter um visual marcante.
Durante décadas o acrílico atravessou diferentes momentos da história do design justamente porque sempre pode estar presente. E ainda, por ser um dos poucos que conseguem carregar tantas contradições culturais.
Como a maioria de materiais associados à estética contemporânea, o acrílico surge inicialmente de necessidade técnica e militar. Antes de migrar para moda, objetos de design de interiores e até para a arquitetura, o acrílico surgiu comercialmente nos anos 1930, desenvolvido entre Alemanha e Estados Unidos sob nomes como Plexiglas e Lucite. A Segunda Guerra Mundial acelerou sua presença na indústria devido à combinação entre resistência e transparência, fazendo com que o material fosse utilizado em cockpits de aviões e submarinos.

No pós-guerra, especialmente entre os anos 1950 e 1960, o acrílico passa a representar uma ideia muito específica de futuro. O mundo vivia fascinado pela tecnologia, pela corrida espacial e pela modernidade doméstica e com isso, as casas começavam a imaginar uma estética mais limpa, leve e que pudesse ser interpretada como uma experiência ao período vivenciado - porque, praticamente tudo o que sentimos e pensamos acaba refletindo e sendo materializado por nós através de nossos sentidos. O material passa a integrar mesas, luminárias e objetos que pareciam anunciar uma nova era visual.
Até que o design italiano o transformou em linguagem pop. Tons fumê, laranja queimado e peças translúcidas começam a ser observados em bares, lounges e mobiliários experimentais na década de 70, flertando com humor e combinações de cores.
Existe uma memória coletiva muito específica ligada ao acrílico fumê, às gavetas translúcidas e aos objetos quase invisíveis que organizavam a rotina doméstica daquele período. Nos anos que viriam logo depois, ele continuou interagindo com ambientes de escritório, sendo usado em organizadores, porta-CDs e pequenos objetos domésticos que marcaram uma geração inteira.

A cadeira Ghost, lançada por Philippe Starck em 2002 materializou simultaneamente passado e futuro, com a silhueta clássica inspirada no barroco francês com um material industrial transparente, quase imaterial. O designer e arquiteto francês retomou o material e o objeto com interpretações para além de funcionalidade, fazendo com que as pessoas conseguissem olhar para uma única linguagem visual: a tradição do barroco e a estética futurista que abusa da transparência. Duas referências aparentemente distantes.
Derivado de petróleo. Durável, reutilizável, resistente, leve para transporte, e ainda, flexível para diferentes contextos. O novo boom do acrílico parece reafirmar profundamente a mobilidade contemporânea e o desejo crescente por experiências visuais flexíveis e adaptáveis dentro de um curto período de tempo. Pop-ups, cafés temporários, instalações de marca, feiras e ativações passaram a utilizar o material porque ele permite presença visual e personalização. Os espaços mudam rapidamente, o objeto precisa circular e a estrutura da experiência precisa acompanhar esse fluxo.
O acrílico permanece em um momento em que o consumo procura simultaneamente o ponto entre emocional, estético, adaptável e o desejo de ser colecionável ao longo dos anos. Entre todos eles, um consumo que ressalta o quanto a experiência e o pensamento se fazem complementares em escolhas com mais intenção.




